O LIVRO aborda fenômenos de mudanças de comportamentos dos cidadãos frente às Tecnologias da Informação e Comunicação – TIC, vivendo na Sociedade da Informação em Rede, e as perspectivas futuras, a Sociedade de Serviços, quando as TIC, em especial os dispositivos móveis como o celular, chegam às mãos de mais pessoas com carência de recursos materiais e cognitivos, seja pela falta de acesso a informações de utilidade pública, habilidade de uso das tecnologias ou analfabetismo funcional presente no Brasil contemporâneo.

 

 

O acesso e uso da informação interativa em redes sociais, e o número de ambientes virtuais de aprendizagem colaborativa são  crescentes, e a perspectiva é que ambos possam promover melhores condições de vida e bem-estar de comunidades. Assim, realizaram-se-se diagnósticos pela observação do cidadão, no seu acesso, uso e apropriação das TIC, na busca e difusão da informação, no uso de TIC para alterar conteúdos existentes na Internet, produzidos para si ou para sua comunidade. A intervenção da pesquisa para o suporte à presente obra tinha como foco o uso de dispositivos móveis para otimização da difusão da informação nos ambientes virtuais de aprendizagem em comunidades de vulnerabilidade social. As mudanças de comportamentos possíveis são reflexo da permanente adaptação a novos processos, ao uso de novas tecnologias, sobretudo, a novas maneiras de viver em comunidade e em sociedade. Nos desdobramentos da sociedade contemporânea espera-se que estas mudanças favoreçam à busca da conquista da cidadania, algo já observado com indivíduos que portam dispositivos de comunicação móvel inteligentes.  

 


 

PREFÁCIO

A ÚLTIMA FRONTEIRA DA HUMANIDADE, DIZ-NOS, É A CONSCIÊNCIA[1]

Vivemos um tempo de mudanças profundas, rápidas, aceleradas. Tudo se transforma a uma velocidade vertiginosa, obrigando a uma permanente adaptação a novos processos, a novas tecnologias, sobretudo, a novas maneiras de viver em sociedade.

Há quem veja estas mudanças pelo prisma de um optimismo tecnológico que, mais tarde ou mais cedo, iria resolver todos os nossos problemas. É uma ilusão. Há quem, pelo contrário, se dedique a um pessimismo metódico, vendo a catástrofe a cada esquina. É um absurdo. O nosso trabalho é compreender, tentar compreender. É para isso que serve o nosso conhecimento, o pensamento, a indagação científica.

Como bem escreve, Walter Benjamin: “Para o génio, toda e qualquer censura, os pesados golpes do destino, e também o sono sereno, são parte do trabalho diligente da sua oficina. Génio é trabalho diligente”.

É a este trabalho diligente que se dedica Benedito Medeiros Neto, nesta obra dividida em quatro partes, que junta um conjunto muito importante de textos sobre O cidadão contemporâneo e as tecnologias de informação e comunicação. O autor adopta diferentes estilos de escrita, para nos introduzir numa reflexão rica e estimulante, que nos provoca, que nos obriga a pensar, que nos coloca perante dilemas centrais do futuro presente, isto é, do futuro que já é presente.

Ao longo dos quinze capítulos são, muitas vezes, os mesmos temas que voltam, mas retomados a partir de diferentes experiências e pontos de vista. Uma das qualidades deste livro é a capacidade do autor para ligar teoria e prática, para avançar elaboradas reflexões teóricas confrontando-as com experiências concretas, na universidade e em comunidades.

Um tema atravessa toda a reflexão de Benedito Medeiros Neto, a cidadania na era digital, sempre com uma preocupação com a desigualdade. É por isso que, logo no texto de abertura, apresenta a questão central do livro:

“A Sociedade Contemporânea está em um processo sem precedentes de imersão no meio digital (computação), em um ambiente de comunicação global, ubíquo, participativo e interativo […]: como explorar este novo meio e suas facilidades para aumentar o processo de Cognição Social e dirigir o desenvolvimento humano contra a desigualdade persistente? ”

Benedito Medeiros Neto tem razão quando escreve que, do ponto de vista da cidadania, as novas possibilidades digitais incluem e excluem, criam e retiram direitos, aproximam e afastam a participação. É esta consciência que nos permite enfrentar com lucidez o “admirável mundo novo” que as tecnologias de informação e comunicação têm vindo a fabricar.

Hoje, sabemos que George Orwell se enganou, no seu extraordinário 1984. O “Big Brother” não existe. A rede é o “Big Brother”. O panóptico total, e irreversível, é um manto reticular tecido diariamente pelas nossas próprias mãos, e a partir da nossa liberdade. Voluntariamente – por vezes, mesmo, avidamente – colocamos na rede as nossas vidas. O que somos. O que pensamos. O que desejamos. O que comemos. E onde? E quando? E com quem? Deixamos que a rede molde as nossas preferências, com sugestões de leituras, de lugares, de encontros, e até de sonhos. A única escapatória seria o refúgio num submundo, situado não numa imensa cave da Terra, mas antes numa implausível existência fora do digital.

Já chegou o dia em que a rede nos conhece melhor do que nós mesmos. Mas esta rede não é uma conspiração, é um entrelaçamento de vontades de pessoas livres. Hoje, explica-nos Jonathan Crary, “o principal fio condutor de nossa história de vida são as mercadorias electrónicas e serviços de mídia por meio dos quais toda experiência é filtrada, gravada ou construída”. Mas afinal onde está o problema? São as pessoas que decidem sobre as suas vidas? Ou não?

Simbolicamente, o problema pode ser ilustrado por esta passagem do autor de 24/7 – Capitalismo tardio e os fins do sono: “Somos o sujeito obediente que se submete a todas as formas de invasão biométrica e de vigilância. E que ingere comida e água tóxicas. E vive, sem reclamar, próximo a reactores nucleares”.

Aqui estão os sinais da nossa abdicação pela responsabilidade em relação à vida. Este é o problema. A sobre-exposição espetacular das nossas vidas, parece traduzir-se num retraimento da nossa responsabilidade social. Como se quiséssemos afirmar exuberantemente o nosso direito à liberdade, individual, mas nos retraíssemos perante o exercício da liberdade como dever, isto é, como forma de intervenção nos grandes debates e decisões do mundo.

Não há refúgio num qualquer submundo, mas há uma saída possível. Permitam-me que recorra a uma palestra extraordinária dada por Maxine Greene, há 35 anos, sobre A educação pública e o espaço público: “Criar uma geração de espectadores não é educar. Não consigo imaginar um sentido coerente para a educação se algo de comum não surgir num espaço público”.

Esta é a nossa saída: valorizar e reforçar um espaço público de discussão e deliberação, de participação democrática, de cidadania com todos. É neste espaço público que a informação, a comunicação e a computação se podem fazer compartilhamento, capacidade de pensar e de agir uns com os outros. É este o sentido maior da cidadania que Benedito Medeiros Neto procura ao longo deste livro.

Yuval Harari, em duas obras de grande impacto, Homo Sapiens e Homo Deus, escreve que, pela primeira vez na história da humanidade, há uma dissociação entre a inteligência e a consciência. Nos nossos dias, já se produzem máquinas muito mais inteligentes do que os humanos, máquinas que têm capacidade de aprender. A última fronteira da humanidade, diz-nos, é a consciência.

Benedito Medeiros Neto tem razão: para uma cidadania consciente e participada, é fundamental promover novos modelos de educação e de aprendizagem, de cultura e de conhecimento, de presença e de decisão na sociedade. Com lucidez, ajuda-nos a pensar e a percorrer o caminho de uma cidadania com igualdade, até porque sem igualdade não há cidadania. É ao serviço deste propósito que o autor coloca a sua inteligência e a sua liberdade, dando-nos uma obra fundamental para compreender os dilemas que todos os dias enfrentamos na nossa vida pessoal e colectiva, na defesa dos nossos direitos e no dever de defendermos os direitos dos outros.

António Nóvoa

Professor catedrático do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e reitor honorário da mesma universidade. Candidato independente às eleições presidenciais de 2016 de Portugal.

[1] António Manuel Seixas Sampaio da Nóvoa, GCIP – ComRB, (Valença, 12 de dezembro de 1954) é um professor universitário português, doutor em Ciências da Educação (Universidade de Genebra) e em  História Moderna e Contemporânea (Paris-Sorbonne). https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Sampaio_da_N%C3%B3voa

SUMÁRIO

PARTE I

DE ONDE VIEMOS E PARA ONDE VAMOS COM AS TIC NO BRASIL

1

OS MARCOS DO FINAL DA ERA INDUSTRIAL

-      Migração de empregados da indústria

-      Da sociedade pós-industrial ao choque do futuro

-      Ao que assistimos após a era industrial?

-      A perspectiva das inovações tecnológicas

-      Impactos da inovação e da TI nas organizações no contexto brasileiro

-      O conhecimento, a comunicação e a cultura na modernidade líquida

-      Século XXI: interativo e transacional

 

2

O SURGIMENTO NO BRASIL DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

-      A expansão das TIC na sociedade

-      América Latina na última década

-      Um modelo de política de informação para o Brasil

-      Avanços e retrocessos do acesso e uso da informação no Brasil

-      Tecnologia e trabalho

-      Informação e desigualdade

 

3

DA DESIGUALDADE ÀS LITERACIAS DIGITAIS NO BRASIL

-      Exclusão e desigualdade na América Latina e Caribe

-      O Governo Digital Brasileiro (Governo Eletrônico)

-      O início do Programa Gesac

-      O Programa Gesac e sua prática com a comunidade de software livre

-      Literacia como o futuro da inclusão digital

-      Inclusão digital e a competência em informação

-      Literacias digitais para excluídos

-      Um estudo de caso de colaboratividade para superar as desigualdades

-      Uma perspectiva das literacias digitais no Brasil

PARTE II

A REDUÇÃO DO DISTANCIAMENTO ENTRE O HOMEM E A MÁQUINA NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

 

4

UBIQUIDADE, CONVERGÊNCIA, HIBRIDISMO NA MOBILIDADE INFORMACIONAL DE UM TERRITÓRIO

-      Conceitos e fundamentos

-      Do uso das TIC à mobilidade

-      Ubiquidade versus autonomia

-      A Convergência aumenta a conectividade

-      A Internet das coisas (Internet of Things - IoT)

-      Hibridismo nas mídias

-      Mobilidade informacional em um território      

-      Projetos colaborativos para mobilidade informacional em um território

-      A mobilidade informacional em um território como uma função (TIC; ubiquidade; convergência; hibridismo)

-      A cibercultura como um exemplo de mobilidade informacional em um território

 

5

A INTERDISCIPLINARIDADE ENTRE A INFORMAÇÃO, A COMUNICAÇÃO E A COMPUTAÇÃO NA ECONOMIA DIGITAL

-      O traçado de convivência das ciências da informação e computação

-      O dispositivo móvel como fator para interdisciplinaridade

-      Mediando a multidisciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade

-      A cognição na Idade Digital junto com a cultura

-      O desdobramento das três áreas de conhecimento na vida das pessoas

-      Ciberdemocracia e Governo Digital (Eletrônico)

-      As perspectivas da desejada interdisciplinaridade

-      Comunicação ubíqua na perspectiva dos serviços     

-      Qual o futuro do aprendizado móvel na educação?

-      A linguagem algorítmica


 

6

ATIVISMO, CIDADANIA E OS SERVIÇOS PÚBLICOS ENQUANTO DIREITOS SOCIAIS

-      O nascimento da cidadania

-      As conquistas dos direitos civis, políticos e sociais

-      Um conceito de e-cidadania

-      Ciberdemocracia e e-cidadania

-      Cultura para a e-cidadania

-      Educação e, depois, a e-cidadania

-      Do anseio às novas práticas na sociedade contemporânea

-      Os meios de que dispomos para o exercício da e-cidadania

-      Uma nova forma de viver em sociedade

7

INCLUSÃO DIGITAL, COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO E LITERACIAS DIGITAIS: DA INTERSEÇÃO E DA UNIÃO DOS CAMPOS E CONTRIBUTOS

-      Ações de pesquisa e educação na sociedade da informação

-      Inclusão e literacias digitais como antecedentes da nova educação

-      Inclusão digital versus inclusão social

-      Competência em informação e literacias digitais

-      Literacia digital – opção interconceitual para cenários atuais

 

8

SMARTPHONES NO AMBIENTE COLABORATIVO DE APRENDIZAGEM E USO NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

-      A presença do celular na mudança dos contextos social, cultural e econômico

-      Sociedade conectada no Brasil, na América Latina e no mundo

-      O celular no contexto da economia digital

-      A produção exponencial de conteúdos

-      Mobilidade dos celulares na educação

-      A internet das coisas (Internet of Things - IoT)      

-      O outro lado (da moeda) da tecnologia

-      Informática e sociedade

-      Perspectivas do celular na economia digital

9

A SOCIEDADE DE SERVIÇOS 3.0 – UM OLHAR ALÉM DA SOCIEDADE EM REDE

-      Desdobramentos da sociedade contemporânea

-      Sociedade da informação em rede

-      Fatores atuais que levam à sociedade de serviços

-      Olhando 50 anos de convergência das telecomunicações e da informática

-      Na perspectiva da comunicação ubíqua e do hibridismo

-      As informações que aumentam a participação coletiva

-      Uma internet semântica

-      TIC para empresas da economia digital e educação

-      Cenários econômicos

-      O que esperamos com agricultura 5.0?

-      Pode-se automatizar mais a indústria 4.0?

-      Vivemos em uma sociedade de serviços 3.0?

 

PARTE III

O CAMINHO DA INVESTIGAÇÃO

10

PROJETO DE PESQUISA, ENSINO E EXTENSÃO

-      Aplicação prática da interseção dos conceitos de inclusão digital, competência em informação e literacia digital

-      Projeto de ensino, pesquisa e extensão

-      Educação on-line como indutora do ensino na era digital

 

11

AVALIANDO A PRESENÇA DE CELULARES EM AMBIENTES DE VULNERABILIDADE SOCIAL (PARANOÁ E ITAPOÃ, UnB, BRASÍLIA)

-      Intervenção para o processo ensino-aprendizagem

-      Metodologia

-      Método de pesquisa do ambiente virtual de aprendizagem

-      Análise do uso de laboratórios, notebooks e smartphones

 

12

PLANO DE TRABALHO PARA PESQUISA DE INTERVENÇÃO SOCIAL E ACHADOS

-      Uso das TIC, ubiquidade, convergência e hibridismo para a prática pedagógica – Paranoá e Itapoã - DF

-      Construção do ambiente de aprendizagem

-      Implementação dos projetos colaborativos

-      A mobilidade informacional em um território como uma função resultante de fatores

-      Trazendo os resultados


PARTE IV

APLICAÇÃO DAS TIC NA MEDIAÇÃO DA EDUCAÇÃO, CIÊNCIAS SOCIAIS E CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO

 

13

ANÁLISE DE REDE SOCIAL DO PARANOÁ E ITAPOÃ COM ENFOQUE EM INTERAÇÃO COLABORATIVA

-      Ensino Pesquisa e Extensão na Universidade

-      Fundamentação

-      O caminho que levou ao método desenhado para o projeto

-      Conclusão e achados

 

14

FORMAÇÃO DE TUTORES: ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS E LÍDERES COMUNITÁRIOS

-      Introdução

-      Contribuições das teorias pedagógicas de aprendizagem na transição do presencial para o virtual

-      Universitários e líderes no papel de mediadores

-      Avaliação da mediação dos tutores

-      Análise e interpretação dos dados e informações

-      Apêndice A - Conteúdo dos cursos

-      Apêndice B - Indicadores de competência para 6 tutores

 

15

AS PERCEPÇÕES DE APRENDIZAGEM NAS PRÁTICAS MEDIADAS POR SMARTPHONES

-      Fundamentação para expansão do uso das TIC

-      Das análises dos dados e das informações levantadas

-      As perspectivas da nova mediação na era digital

 

BIBLIOGRAFIA

 

SOBRE O AUTOR

 

 

 


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