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A Gnosis Chinesa

Os autores reconheceram na Bíblia do taoísmo o ensinamento gnóstico universal. Em A Gnosis Chinesa, eles desvelam a linguagem que Lao Tsé revestiu seu ensinamento. São comentários abrangentes e extremamente atuais que auxiliam quem busca o caminho da realização espiritual e mostra a perfeita viabilidade desse caminho para o homem moderno.

SUMÁRIO

Prefácio; Introdução: A sublime sabedoria de Lao Tsé; Ser e não ser; Wu wei; Não te deixe impressionar por horarias; O Tao é vazio; A onimanifestação não é humanitária; O espírito do vale da morte; O macrocosmo dura eternamente; O coração do sábio é profundo como um abismo; Não toques no vaso cheio; Visão, audição e paladar; Elevada honra e desonra são coisas temíveis; Olha pra o Tao,  e não o vês; O fio do Tao; As cincos qualidades do bons filósofos; As impurezas do coração; A vacuidade suprema; O povo e seus princípios; Quando o Tao foi negligenciado, surgiram o humanitarismo e a justiça; Bane o saber!; Afaste-te dessas coisas; Abandona os estudos; O mundo tornou-se uma selvas; ... 

Tao Te King, capítulo 13

Elevada honra e desonra são coisas temíveis. O corpo é uma grande calamidade.

Por que fazer afirmação sobre elevada honra e desonra? Elevada honra é algo inferior. Recebê-la causa medo. Perdê-la causa medo. É por isso que se diz: elevada honra e desonra são coisas temíveis.

Por que dizem que o corpo é uma grande calamidade? Tenho, portanto, grande calamidade por que tenho um corpo.

Se eu não tivesse corpo, quais calamidade eu poderia ter?

Por isso, quem considera governar o reino uma tarefa muito pesada, a ele pode-se confiar o reino. Quem considera governar o reino algo repreensível em si mesmo, a ele pode-se  confiar o governo do reino.

 

Tao Te King, capítulo 18

Quando o Tao foi negligenciado, surgiram o humanitarismo e a justiça.

Quando a sagacidade e a astúcia se manifestam, surge a grande hipocrisia.

Quando a família deixou de viver em harmônia, surgiram a afeição paterna e o amor filial.

Quando os estados do reino soçobraram na desordem, surgiram os súditos fiéis e submissos.

 

Tao Te King, capítulo 27

Quem caminha bem não deixa rastros. Quem fala  bem não dá motivo para censura. Quem conta bem  não precisa não precisa de ábaco. Quem fecha bem não usa ferrolho, e, no entanto, ninguém pode abrir   o que ele fecha. Quem amarra bem não usa corda e, no entanto, ninguém pode desamarrar o que ele     amarra.

Por isso o sábio sempre sobressai ao ajudar os homens e não rejeita nenhum deles. Ele sempre sobressai ao ajudar as coisas e não rejeita nenhuma delas. A isso eu chamo de duplamente iluminado.

Portanto, o bom é o mestre do mau. o mau é o meste do bom.

Quem não dá nenhum valor ao poder e não ama a opulência, mesmo que sua sabedoria possa parecer tolice, adiquiriu a oniciência.

 

27-II

QUEM CAMINHA BEM NÃO DEIXA RASTROS (pg. 331)

Repitamos os primeiros versículo do capítulo 27 do Tao Te King:

      Quem caminha bem não deixa rastros. Quem fala            bem não dá motivo para censura. Quem conta bem        não precisa não precisa de ábaco. Quem fecha bem          não usa ferrolho, e, no entanto, ninguém pode abrir          o que ele fecha. Quem amarra bem não usa corda e,       no entanto, ninguém pode desamarrar o que ele                amarra. 

     O início desse fragmento - quem caminha bem não deixa rastros - é maravilhoso, são palavras muito difíceis de compreender à luz da vida atual, proveniente da da natureza.

     Visto objetivamente, todos os que buscam a Escola Espiritual  gnóstica e com ela entram em contatos são chamados "homens bons". É assim que eles são conhecidos. Em virtudes do seu estado de nascidos da natureza, eles já tiveram experiências, seja de bondade religiosa seja de bondade humanitária, de que vos falamos no capítulo anterior. Também é possível que esses dois aspectos dirijam o curso de suas vidas.

     Mas,  dizei-nos agora: acaso vossa prática da bondade não deixou profundas marcas atrás de si? É possível que já tenhais refletido sobre isso algumas vezes. Vossa bondade, em muitas ocasiões, não teria provocado profundas feridas? Teria vossa bondade sido dirigida unicamente a homens que a mereciam totalmente? Acaso não terá isso despertado inveja? Teria sido a compaixão a causa de vossos todos? Em quantos problemas não vos envolveste exatamente devido às manifestações de vossa bondade? Por que razão vossa demonstração de bondade era tão evidente para uns e tão ausente para outros?

      Essas perguntas nos levam a uma profunda reflexão, pois vosso comportamento bondoso deixou atrás de si inúmeros e profundos rastros. Tendes provas suficientes de algo não vai bem no exercício de vossa bondade. Um ditado popular afirma: ""Ele não tão bom quanto parece", mas vós pareceis bom! Vossa assinatura é a bondade nascida da natureza. Essa bondade. por mais admirável que seja, deixa rastros e cava profundos sulcos na alma. A bondade humana, quer aplicada por um único homem ou em sociedade, quer individualmente ou em grupo, nunca deixa de causar prejuízos.

       Os sábios tinham conhecimento disso; eles falaram sobre isso, eles ainda falam e vos advertem. Eles vos mostram a realidade, eles vos fazem sentir vossa própria realidade. Essa é uma realidade que vos causa sofrimento. Como podereis sair disso? 

       Virtude e conhecimento podem ajudar-vos. O fato de vos sentirdes, desde vossa juventude, entusiasmados por uma religiosidade evidente, ou por uma forte tendência artística pela beleza, ou ainda pela sede de conhecimento, ou por alguns desses aspectos ao mesmo tempo, é altamente notável e constitui, poder-se-ia dizer, uma base para uma eventual experiência totalmente nova. ë o toque da força da rosa, do reino de deus em vós. Trata-se agora de tornardes essa base interior em virtude perfeita, em virtude libertadora.

    A base para a virtude está, portanto, presente em vós. Porém, existe algo mais. Existe em vós, à vossa disposição, conhecimento. Compreendei-nos bem! Nós não estamos falando de conhecimentos adquiridos nas escolas, dos quais necessitas para navegar nas correntes das forças contrárias. Temos em vista o único e verdadeiro conhecimento vital, o Ensinamento da Vida, a Doutrina Universal, que está ócluto no átomo original e é revelado pela Gnosis, como estímulo para abrir-vos a senda do verdadeiro conhecimento.

      Ora, a propensão para virtude, a virtude que consiste em ser bom, em fazer o bem, associado a esse conhecimento pode libertar-vos e vos libertará.

      Todavia, considerai do fundo do coração a advertência de Chuang Tsé: "Virtude e conhecimento são remédios perigosos que não devem ser utilizados de forma imprudente. Se vossa virtude é verdadeira e vossa lealdade é firme, mas vosso espírito não é penetrado por elas, e então?"

     A tendência para uma virtude perfeita, para uma bondade irradiante está profundamente ancorada em muitos seres humanos. Da mesma forma, muitos são os que, intelectualmente, dominam muito bem a filosofia revelada. Que posse magnífica! O primeiro grupo é conduzido pelo coração, o outro,  pela cabeça. Separadas uma da outra, essas duas características são inúteis e perigosas.

     Também existem os que, sob diversos aspectos, deixam agir, na vida prática, conjuntamente a cabeça e o coração. Não obstante, evidencia-se que esta atitude também deixa profundas marcas atrás de si, porque o eu da natureza ainda domina sua vida.

   Além do mais - e citamos mais uma vez Chuang Tsé - "O Tao não pode ser dividido. Dividir o Tao é quebrar a unidade". Essas são palavras extremamente importantes, pelas quais vemos claramente que é impossível transmitir a verdadeira Gnosis, a Gnosis salvadora e redentora, através de atos de bondade ou de dogmas. O Tao apenas pode ser experimentado em sua totalidade - ou não pode ser experimentado de modo algum. É por isso que cada homem deve buscar, por si mesmo, o caminho do Tao, encontrá-lo e vivenciá-lo.

      Está claro que a personalidade nascida da natureza está munida de diversas faculdades, de poderosas faculdades. Todas essas faculdades, porém, só servirão  e atuarão corretamente se utilizadas nas justas proporções, em colaboração com o microcosmo, em união com o ser divino no homem. A virtude e o conhecimento devem levá-lo a seguir a senda, a colocar em prática a nova atitude de vida, o retorno à natureza divina pelo caminho do grande sacrifício da endura. Eis aí o essencial. Édissoque se trata.

       O grande erro de ser nascido da natureza é pensar que essas faculdades, eventualmente grandes, de sua cabeça e de seu coração estão prontas para uso, que, por sua utilização, ele distribuirá ao seu redor bênçãos, conhecimento, sabedoria e progresso, servido, assim, à Gnosis e à humanidade. Porém, "o Tao não pode ser dividido. Dividir o Tao é quebrar a unidade."

    Portanto, se desejas participar do que é concedido nos templos da Rosacruz, é preciso colocar em prática a nova atitude de vida. É preciso que vós mesmo sigais o caminho até o fim. Se não encetardes o caminho, se vos mantiverdes presos a vossos próprios atos com vossos pretensas faculdades, semelhante conduta deixará profundas marcas atrás de si. Então, reforçareis e acentuareis a oposição dos contrários e aumentareis o mal.

     Se sabeis que sois um "jovem rico", um homem talentoso, ao ouvirdes estas palavras podeis virar as costas, cheios de tristeza, e adotar uma atitude de vida passiva ou perigosa ao extremo. Mas também podeis seguir o conselho de Jesus. o Senhor: "Vai, vende tudo quanto tens [...] e segue-me (Mc 10:21), em profunda obediência ao santo trabalho, à Corrente Universal e a seus enviados, e cumprir vossa tarefa. Abandonais a ilusão de serdes perfeitos; a ilusão que vos faz afirmar: "Tudo posso - também posso fazer isso - vou conseguir isso". Colocai sob um correto julgamento vossa propensão à virtude e ao conhecimento e, assim como é dito na Bíblia, orai e jejuai.

    Que significa isso? Evidentemente, não se trata de murmurar orações durante horas a fio. Menos ainda, viver de pão e água, ou nada comer durante dias, praticando uma ladainha de rituais. Os antigos sábios diziam que "orar e jejuar" significava orientar toda a vida para o outro reino, para a verdadeira pátria, libertando o reino em si e, assim harmonizando, estabelecer a unidade com as manifestações da vontade. Nesse estado de ser, não ouvireis mais com os ouvidos o tumulto das forças contrárias, mas abrireis totalmente vossa compreensão, vossa razão, todo o santuário da cabeça à efusão do Espírito sétuplo.

     Os antigos sábios diziam: "Deixa para os ouvidos a audição dos ouvidos. Deixai para a razão a compreensão do trabalho da razão. Quando a alma está silenciosa e não forma imagens, ela se abre para a concepção. Na alma aberta, o Tao - o Espírito sétuplo - "desce".Issoé orar e jejuar.

     Caso sigais o caminho dessa forma, caso vivais dessa forma vosso discipulado, tornareis reais as palavras:Quem caminha bem não deixa rastro. Então, o microcosmo inteiro caminha com Deus. Então, espírito, alma e corpo estão mutuamente ligados  segundo a mais elevada lei da natureza divina. Somente então vossa faculdades serão empregadas segundo a intenção original.

    Somente dessa maneira vos libertareis de vós mesmo e utilizarei vossa liberdade a serviço da humanidade ainda prisioneira. Entrai no salão superior e, em perfeita orientação de todo vosso ser, jejuai, o que significa: perseverai e orai.

    "Ë entretanto [em Jerusalém], subiram ao salão superior, onde habitavam [...] Todos estes perseveram unanimemente em oração." E, no dia de Pentecostes, "todos foram cheios do Espírito Santo"(At I e 2). Portanto, a efusão do espírito Sétuplo realizou-se para eles.

     Somente depois desse momento, a bondade e o talento da virtude e do conhecimento não causarão mais ferimentos a vós mesmo nem a outrem, pois:  

 

     Quem caminha bem não deixa rastros. Quem fala             bem não dá motivo para censura. Quem conta bem           não precisa não precisa de ábaco. Quem fecha      bem     não usa ferrolho, e, no entanto, ninguém pode                    abrir o que ele fecha. Quem amarra bem não usa             corda e, no entanto, ninguém pode desamarrar o que       ele amarra. 

 

Tao Te King, capítulo 30

Os que, no Tao, ajudam a quem governa os homens não subjugam o reino com a violência das armas.

Aquilo que é feito aos homens é recebido de volta da mesma maneira como foi dado.

Por todas as partes onde estiverem os exércitos crescem espinhos e cardos.

Às grandes expedições segue-se certamente anos de fome.

O verdadeiramente bom dá um único golpe certeiro e para; ele não ousa perserverar na violência grosseira.

Ele dá um único golpe certeiro, porém não se engrandece.

Ele dá um único golpe certeiro, porém não se vangloria disso.

Ele dá um único golpe certeiro, porém não se orgulha disso.

Ele dá um único golpe certeiro, mas unicamente porque não pode agir de outro modo.

Ele dá um único golpe certeiro, mas não quer parecer forte nem poderoso.

No auge da força, os homens e as coisas envelhecem. Isto significa que não semelhantes ao Tao. E o que não se assemelha ao Tao rapidamente chega ao fim.

Tao Te King, capítulo 33

Quem conhece os homens é perspicaz, mas que conhece a si mesmo é iluminado.

Quem vence outros homens é forte, mas quem vence a si mesmo é onipotente.

Quem sabe moderar-se é rico, mas que é dinâmico de força de vontade.

Quem não se desvia de sua natureza essencial vivera por muito tempo, mas quem morre e não se perde gozará a vida eterna. 

 

 

 

 

...

 

 

...

978-85-62923-00-5
496págs
620g
R$75.00

http://www.pentagrama.org.br/livros-autores/jan-van-rijckenborgh?page=1 


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