... reconcilar a ciência com a religião, reinserindo Deus na ciência e a natureza na religião, para desse modo, fertilizar as arte e a vida. (Rodolf Steiner)

A Ciencia e a Flor

"A filosofia se basei na esopeculação, na lógica, no pensamento, na sítese do não que sabemos. Pode incluir dentro dos seus limites o conceito de ciência, da religião e da arte. Mas onde podemos encontra esta filosofia? Tudo que conhecemos nos nossos dias com o nome de filosofia não é a filosofia, mas simplesmente "literatura crítica"ou a expressão de opiniões pessoais, principalmente com finalidade de vencer e destruir outras opiniões pessoais.  Ora, o que é ainda pior, a filosofia não passa de uma diaética que se satis faz a si mesma cercando-se de uma barreira impenetrável de terminologia ininteligível ao não-iniciado e resolvendo para si mesma todos os problemas do Universo, sem qualquer possibilidade de provar esssas explicações ou de tornálas inteligíveis ao comum dos mortais" (p.34)   

"A ciência é baseada na experiência e na observação. Não deve conhecer o temor, não deve ter dogmas, não deve criar para si mesmo nenhum "tabu". Mas a ciência contemporânea, pelo simples fato de ter renpentinamente cortado  suas relações com a religião e o "misticismo", isto é, por ter criado para si mesmo um um "tabu" definido, converteu-se num instrumental acidental e inseguro do pensamento. A presensa constante deste "tabu"  a obriga a fechar os olhos a toda uma série de fenômenos  ininteligíveis,  inexplicáveis e insteligíveis, priva-a da totalidade  e da unidade e, como consequência, somos levados  à situação de "não ter um ciência, mas várias ciêncas".    (p. 35)

A arte se baseia na compreensão emocional, no sentimentodo Desconhecido que está atrás do visívele do tangível, e no poder criador, isto é, o poder de reconstruir em formas ou visíveis as sensações, sentimentos, visões e os estados de ânimo do artista, e principalmente uma determinada sensação fugidia, que é, de fato, o sentimento de uma harmoniosa interconecção e unidade de todas as coisas e sentimento da "alma" das cosas e  fenômenos. Como  a ciência e a filosofia, a arte é um caminho de conhecimento definido. Ao criar, o artista aprende muita coisa que não conhecia antes. Mas uma arte que não revela mistérios, que não conduz `esfera do Desconhecido, que não produz um um novo conhecimento, é uma paródia da arte, e, ainda, com frequência, não é sequer uma paródia, mas simplesmente um comêrcio ou uma industria. (p. 35)  

P.D. OUSPENSKY. UM NOVO MODELO DO UNIVERSO. Princípios do método psicológico aplicado aos problemas da Ciência, da Religão e da Arte. Editora Pensamento. São Paulo. 1995.

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O estado da arte da Filosofia da Informação na Ciência da Informação Brasileira
Philosophy Information state of the art in the field of Information Science

por Diego Andres Salcedo, Túlio de Morais Revoredo


Resumo: O termo Filosofia da Informação bem como seu conceito analisado aqui, tem início com o filósofo Italiano Luciano Floridi, devido ao seu pioneirismo em estruturar e apresentar as teorias para o estudo filosófico da Informação. Esta pesquisa apresenta um panorama da Filosofia da Informação e suas relações teóricas com a Ciência da Informação brasileira. Visando assim, uma estruturação do panorama conceitual entre a Filosofia da Informação e Ciência da Informação. Para tal fim, foram coletados artigos nos periódicos científicos brasileiros de Ciência da Informação e nos Anais do Enancib, onde, por consequência, foram identificados quais artigos seriam analisados. A pesquisa identificou, analisou e apresentou, sob a ótica da Ciência da Informação, o estado da arte da Filosofia da Informação na literatura científica brasileira, por meio dos quinze problemas propostos por Fernando Ilharco, que teve influencia nas pesquisas realizadas por Luciano Floridi para criá-los. Desse modo, foram apontadas as principais aproximações conceituais entre esses campos de estudo.
Palavras-chave: Ciência da Informação; Estado da Arte; Fernando Ilharco; Filosofia da Informação; Literatura Científica; Luciano Floridi.

 Abstract: The term philosophy of information as well as its concept analyzed here, begins with the Italian philosopher Luciano Floridi, due to its pioneering role in structuring and presenting theories to the philosophical study of Information. This research presents an overview of the Philosophy of Information and its relations with the theoretical Information Science in Brazil. Aiming thus a conceptual overview of the structure between the Philosophy of Information and Information Science. To this end, we have collected articles in brazilian scientific journals of Information Science and Proceedings of Enancib where they have been identified and analyzed. The research identifies, analyzes and presentes from the perspective of Information Science the state of the art of Information Philosophy in the brazilian scientific literature, by means of fifteen problems proposed by Fernando Ilharco, which had influence on the research conducted by Luciano Floridi to create them. Thus, were pointed out the main conceptual approaches between these two fields of study.
Keywords: Information Science; Fernando Ilharco; Luciano Floridi; Philosophy of Information; Scientific Literature; State of the Art.

Introdução

O surgimento da Ciência da Informação, enquanto área formal de estudo científico inicia-se com a ciência moderna, mais especificamente em meados do século xx, com a segunda guerra mundial e a consequente necessidade de gerenciamento de informações produzidas naquela época. Freire (2008, p. 3) argumenta sobre a Ciência da Informação como uma área que “remonta suas bases a partir da emergência do paradigma do conhecimento científico na sociedade ocidental, cuja divulgação se apoiou na invenção da imprensa, em paralelo à institucionalização das universidades e à criação das primeiras associações científicas”.  As discussões dos conceitos da Ciência da Informação são de grande importância para sua sustentação teórica. Couzinet, Silva e Menezes (2007, p. 1) afirmam que a “Ciência da Informação no mundo, desde sua criação, vivencia uma crise de identidade e suas fronteiras com outras disciplinas não estão claramente definidas”.

A demasiada e facilitada produção de informação, sobretudo por meio de aparatos tecnológicos utilizados nas últimas décadas, gerou margem para algumas inquietações no que diz respeito ao pensamento filosófico da informação. A informação, enquanto conteúdo ganhou novas análises em relação a sua propagação e formas de inserção social, passou a ser estudada numa abordagem reflexiva, embasada na Ciência da Informação e na própria Filosofia. Para estruturação dos conceitos aqui expostos, admitiremos a Filosofia enquanto área de estudo formal, que se preocupa em analisar as questões fundamentais relacionadas às reflexões sobre a Informação. Dessa maneira, contemplaremos as discussões iniciais da Filosofia da Informação, sobre os seus conceitos e sua fundamentação teórica, bem como a sua relação com a Ciência da Informação. Este estudo surge intrinsecamente ligado às novas perspectivas da informação tecnológica que, por sua vez, remontou os estudos reflexivos sobre a informação, alertando a Ciência da Informação para o problema da informação tecnológica enquanto contexto.

Segundo Bourdieu (1989, p. 59 - 65), um campo científico pode ser definido como um conjunto de métodos, estratégias e objetos legítimos de discussão. Dessa maneira, em cada um desses elementos são diversos os procedimentos capazes de contribuir para sua fragmentação ou sua consolidação. Assim, esta pesquisa tem como objetivo verificar a participação e o estado da arte dos debates emergentes de uma Filosofia da Informação eurocêntrica, dentro da Ciência da Informação brasileira, por meio de publicações científicas legitimadas pela comunidade científica nacional, assim como os Anais dos Enancib’s.  Para Marques de Melo(1998, p. 87),à medida que se institucionaliza um novo campo do saber, torna-se imprescindível oferecer às novas gerações um quadro histórico que estimule a acumulação orgânica de experiências, evitando-se a repetição de etapas já percorridas, mas que escapam muitas vezes à percepção dos pesquisadores neófitos.


Assim, a partir dos arcabouços conceituais citados, buscaremos analisar e apresentar um panorama sobre o estado da arte da Filosofia da Informação no debate da Ciência da Informação brasileira. Para este efeito, foi identificada a origem do debate sobre a Filosofia da Informação em Luciano Floridi, por meio de revisão da literatura científica; desde os quinze problemas propostos por Fernando Ilharco foi analisado o estado da arte da Filosofia da Informação, no Brasil, com o auxílio de exaustiva revisão bibliográfica dos periódicos científicos da Ciência da Informação e dos Anais do Enancib; por fim, é feita uma apresentação do panorama histórico-conceitual sobre o estado da arte da Filosofia da Informação no debate da Ciência da Informação brasileira.


O contexto da Filosofia da Informação
Historicamente, sobretudo na abordagem da Biblioteconomia, a reflexão filosófica esteve presente nos argumentos atribuídos às práticas biblioteconômicas. Souza (1986, p. 194) argumenta sobre a Biblioteconomia e a Filosofia como “uma ciência reflexiva” e a partir disso, propõe uma “Filosofia da Biblioteconomia” onde ele aborda "como um conjunto de teorias, princípios e métodos que procuram fazer da Biblioteconomia uma ciência." No argumento percebe-se a intenção em alertar a necessidade de discussão filosófica na Biblioteconomia. Souza (1986, p. 194-195) prossegue definindo os conceitos: a) a Filosofia da Biblioteconomia implica em questionar como raciocina o bibliotecário, como ele busca e se utiliza dos princípios filosóficos aplicáveis a todas as ciências, para a construção das teorias biblioteconômicas. b) Fazer Filosofia da Biblioteconomia é não colocar limites à inteligência criativa do bibliotecário, é fornecer-lhe os subsídios para teorizar e praticar; é dar-lhe condições de buscar as causas dos problemas que surgem no seio de sua profissão, é dar-lhe condições de pensar e agir de forma metódica e constante em prol da informação

No argumento acima fica claro a visão de que o autor, ao atribuir o pensar filosófico às ações do Bibliotecário, considera a Filosofia um mecanismo de motivação e inovação do profissional. Tenta-se no pensamento filosófico que o bibliotecário busque as ferramentas para a reflexão da sua profissão e de sua atuação social. Por extensão, o autor explana alguns conceitos norteadores para uma Filosofia da Biblioteconomia:"Filosofia da Biblioteconomia é a reflexão profunda sobre si mesma, sobre seus conceitos, abrangência, correlações, funções; é o repensar sobre tudo o que fez, faz e fará; é a reflexão sobre cada uma de suas partes e divisões, sobre cada uma de suas etapas; é a reflexão sobre o como e o por quê de cada ação bibliotecária." (Souza, 1986, p. 195)  Durante todo o argumento do autor percebe-se uma aplicação da filosofia para práticas e ações profissionais, não considerando a informação enquanto objeto de estudo e/ou enquanto fenômeno de impacto social. Isso por que é somente com a proliferação das tecnologias de acesso e uso informacional, configurada de forma mais significativa no inicio do século XXI, que a filosofia aplicada à ciência da informação e mais específica, a Filosofia aplicada ao objeto de estudo da Ciência da Informação - Informação - ganhou um pouco mais de contexto e buscou, de forma mais intensa, analisar o objeto informação. Diferentemente da “Filosofia da Biblioteconomia”, que buscava formalizar as praticas biblioteconômicas como ciência.

Nesse sentido, origina-se a Filosofia da Informação, que basicamente teve seu inicio derivado da inquietação acarretada pelas tecnologias de informação. Ilharco (2003) baseado em Floridi (2001) afirma que a necessidade do estudo da Filosofia da Informação, está diretamente ligada as Tecnologias de Informação e Comunicação. Dessa forma, percebe-se que os debates sobre os elementos conceituais que influenciam no processo informacional e, consequentemente, na Filosofia da Informação, tem uma vertente tecnológica e com seus processos sociais. Conforme Floridi, a Filosofia da Informação é um campo da pesquisa filosófica voltado à investigação crítica da estrutura conceitual e dos princípios básicos da informação e ainda da elaboração e aplicação da Teoria da informação e das metodologias computacionais aos problemas filosóficos.

Assim, a reflexão de como a sociedade se comporta diante do progresso tecnológico, leva-nos a crer que aparelhos como o celular e computador passaram a fazer parte do cotidiano, facilitando, dinamizando o acesso à informação e, consequentemente, a comunicação. O mundo tecnológico, de certo modo virtual, criou novas formas de relacionamentos e comportamentos, encurtando espaços e mudando os paradigmas comunicacionais. Quando argumentamos sobre tecnologia, de forma contextual, falamos em possibilidade, ou seja, tecnologia é a possibilidade de resolver problemas, de modo que, o indivíduo fará se a possibilidade existir, mesmo não sabendo como funciona ou se funciona, ou que seja esteticamente belo ou resolvido, ainda que não se entenda, mesmo que não seja aceitável, ainda sim, se puder ser feito, de alguma forma, a tecnologia fará. A tecnologia não é ciência.

A ciência desenvolve teorias, tenta entender o mundo, que tenta formalizar ou, pelo menos, sistematizar o entendimento do mundo ao nosso redor, daí as questões pertinentes à busca da verdade, dos valores, etc. A tecnologia, como dito, cria possibilidades do que é totalmente diferente da verdade, ela operacionaliza as teorias existentes (Romero, 2007). Ainda, Salcedo (2010, p. 21) afirma que: "a estreita relação entre a Ciência e a Tecnologia é tema das agendas políticas e econômicas da grande maioria dos países. Relação tão complexa que acarretou o surgimento dos neologismos tecnociências ou sóciotecnocientíficas. Parece ser consenso que os produtos resultantes das práticas científicas e tecnológicas são, ao mesmo tempo, as glórias e as indigências de nosso tempo. Destarte, essa relação tem gerado amplos debates e pontos de vista variados. Não poderia ser de outra forma."

De fato, esses debates têm origem no processo evolutivo da escrita e da imprensa. A cinco mil anos, o homem sistematiza a escrita e as formas de escrever, começando a fazer registros em diversos tipos de suportes, fosse uma pedra, mármore, papiro, etc. Nos dias atuais, atividades simples que envolviam transações humanas ao qual se fazia uso antes, hoje dão espaço para as novas linguagens dos softwares, numa interface virtual (Silveira, 2004). Essa nova forma de entender e “escrever” o mundo criaram novas formas de relacionamentos, o que Lévy (1996) denomina de virtualizações das ações humanas. O mundo virtual, segundo Lévy(1996), é constituído de três abstrações básicas. A primeira, talvez a mais importante, é a linguagem. Ela abstrai o presente. É por meio dela que o Ser Humano pode desenvolver formas mais avançadas de comunicação, virtualizando questões pertinentes ao futuro, podendo assim, fazer planos e lançar teorias para gerações futuras.

A segunda é a virtualização das técnicas. Elas virtualizam as ações. Nesse sentido, está o fundamento da tecnologia, a noção do projeto de uma roda, por exemplo, é uma virtualização da noção do movimento, quando se projeta uma roda para um determinado fim, está se virtualizando sua aplicação. E, por fim, a terceira são os contratos sociais, estes que virtualizam direitos e deveres, regulando e contribuindo para o convívio social. A informação muda completamente de proporções quando é conectada, quando se está em rede. A informação estática, sem acesso, desconectada do seu público em potencial, tem um valor muito insignificante do ponto de vista da penetração social, porém, quando conectada ela muda completamente seu significado por fazer parte de uma articulação muito maior. Os espaços isolados foram penetrados por um mundo que se conectou que se abriu. Isso mudou a forma de se observar o mundo ao redor, algumas verdades tidas como absolutas caíram por terra pelo acesso a informação de forma muito mais rápida. A informação em si, não pertence mais a uma única pessoa, e sim a quem consegue buscá-la e interpretá-la de maneira tal a ser absorvida.

A sociedade vive uma transição para um modo de produção em rede, ou seja, os modos de produção habilitados pela rede, onde as empresas e as estruturas formais da sociedade estão necessariamente conectadas por uma tecnologia que é mera possibilidade, não se discute se a rede é a melhor ou não, apenas se usa. Quem faz uso define sua real intenção ao utilizá-la. A apropriação das áreas do conhecimento em se posicionar diante de um cenário filosófico apropriado vem se configurando de forma muito intensa devido a necessidade de remodelamento das áreas de acordo com sua formas de interagir com a sociedade.  Nesse sentidoRobredo (2007, p. 62) afirma que em uma busca rápida pela internet encontrou mais de 11.000 resultados para “Phylosophy of * “ e eliminando as repetições encontrou 300 entradas (Phylosophy of Arithmetic, Artificial Intelligence, Biology, Business, Chemistry, Economics, Education, Engineering, Envioronment, Freedom, Geography, History, Information …")

A Biblioteconomia e a Ciência da Informação já são estudadas na perspectiva filosófica por teóricos da área, porém, em uma abordagem apenas epistemológica. O que a Filosofia da Informação traz de novo, especialmente a partir de Floridi (2001; 2002), é pensar quais as formas de apropriação conceitual da Informação e as barreiras sobre o seu estudo.   Investindo em tais análises, podemos observar que a Filosofia da Informação é uma área relativamente nova e que está à procura de seu reconhecimento formal como um campo de pesquisa filosófica. Possui um grande potencial que é proporcionar uma reflexão de base, sob uma mesma perspectiva de fundo, a Informação, sobre os pressupostos, os métodos, os problemas e as soluções de cada vez maiores parte das atividades científicas, culturais, sociais e profissionais nas sociedades desenvolvidas (Ilharco, 2004). 

A Filosofia enquanto área de estudo preocupa-se em analisar questões fundamentais relacionadas à existência, ao conhecimento, à verdade, aos valores morais e estéticos, à mente e à linguagem. Dessa Maneira,Ilharco (2003, p. 17) argumenta que a Filosofia da Informação surge em um projeto que pretende se consolidar enquanto área de estudo para entender e/ou pensar a informação de maneira filosófica, atribuindo-lhe premissas de questionamentos como, “Quais as dinâmicas e modos de ser informação?”.  Diante dessa abordagem, Ilharco (2003) alicerçado nos conceitos propostos por Floridi (2001; 2002) em seu ensaio sobre a“Philosophy of Information”, aponta quinze problemas que são vitais para a estruturação da Filosofia da Informação, a saber:

-O problema ontológico (o problema de fundo, basilar, que constitui o próprio campo de reflexão e análise é a questão ontológica: qual a natureza da informação?).
-O problema epistemológico (terá a filosofia esquecido a questão informação ao ter avançado para a questão do conhecimento?).
-Outro problema epistemológico (Quais “ferramentas” e/ou instrumentos serão utilizados de forma apropriada para estudo e análise da informação?).
-O problema da realidade (Que relação existe entre a informação e a realidade? É a informação realidade? O que é a realidade além da informação?).
-O problema da verdade (a verdade, o estar correto, ser verdadeiro é ou não uma característica da informação? o que é a desinformação? É a desinformação, informação?).
-O problema do ser (Que correspondência ou relação existe entre informação e o ser?).
-O problema dos níveis de abstração (a que níveis de abstração se coloca cada uma dessas informações? Um 3 é o quê? O número 3, um algarismo uma quantidade, um símbolo, um desenho, um conceito, por um meio de comunicação, um acordo, conhecimento à priori?).
-O problema dos dados (o que são dados? o que é um dado? o que distingue informação de dados? como os poderemos constatar ou distinguir de informação?).
-O problema do conhecimento (qual a relação entre informação e conhecimento? É possível o ser humano, estar no mundo, sem conhecimento?).
-O problema da ação (para que queremos ser informados? O que é uma informação útil?).
-O problema da comunicação (o que é a comunicação? Será a comunicação a transmissão de informação?).
-O problema da utilidade (a informação fundamentalmente informa. Assim, deve questionar-se: o que é informar ou ser informado?).
-O problema da tecnologia em geral (deveremos questionar qual a relação do fenômeno da informação, e dos fenômenos que lhe são adjacentes, com o mundo tecnológico: que relação existe a eficiência tecnológica e a informação?).
-O problema da informação tecnológica como contexto (a medida que mais e mais organizações absorvem o esquema contextual da informação e comunicação tecnológica, isto é, quanto mais essas entidades partilham entre si um novo esquema cognitivo, mais provável será que a sua produtividade possa subir, sendo que o contrário também se deverá verificar. A exclusão do novo contexto de produção da informação gera um “escanteamento” de quem não adere).
-O problema ético (As mudanças de comportamentos, de estruturas, de valores, de estratégias de poderes provocadas, desencadeadas ou relacionadas com a disseminação das tecnologias de informação e comunicação pelo planeta estão trazendo novos desafios e novos problemas à humanidade).

No argumento fica claro que o estudo proposto e sua problemática, estão voltados para a informação enquanto conteúdo de interação social. Nesse mesmo ponto Floridi (2002, p. 124) afirma que a Filosofia da Informação procura expandir a fronteira de pesquisa filosófica, visto que, inclui novas áreas à sua investigação porque não coloca juntos tópicos pré-existentes, proporcionando uma reordenação do cenário filosófico.Floridi (2010, p. 39) argumenta ainda que o objeto de pesquisa da Biblioteconomia e Ciência da Informação é a informação no sentido “fraco” e mais específico de dados registrados, isto é, documentos. Biblioteconomia e Ciência da Informação como Filosofia da Informação aplicada é uma disciplina preocupada com documentos e seu ciclo de vida, bem como com os procedimentos e técnicas pelos quais o ciclo dos documentos é implementado e regulado. Em outro sentido, Robredo (2007, p. 63) afirma que é função da Filosofia criar conceitos. Argumenta, por extensão, que a Ciência da Informação é uma filosofia, pois, “criou”o conceito de Informação.

Segundo o autor, esta é uma questão ontológica de difícil solução, pois, demanda o desdobramento da filosofia em níveis (Filosofia?Filosofia das Ciências Sociais?Filosofia das Ciências Sociais Aplicadas? Filosofia da Ciência da Informação. Esta última comportaria, pelo menos, quatro vertentes: Filosofia da Biblioteconomia; Filosofia da Arquivologia; Filosofia da Museologia; e, Filosofia da Documentação). Robredo não aprofunda a análise, destacando que o seu objetivo é verificar a contribuição do pensamento filosófico para a Ciência da Informação.  Aqui já se pode observar uma grande divergência conceitual entre os conceitos elaborados por Floridi e os conceitos expostos por Robredo. Para Robredo a Ciência da Informação, enquanto área de estudo da Informação, deve contemplar a reflexão da Informação enquanto perspectiva filosófica, devido a sua ligação com as Ciências Humanas e com a própria Filosofia.

Por sua vez, Floridi admite que a reflexão da Informação será melhor contemplada se inserida em um estudo que parta dos alicerces conceituais da Filosofia, trazendo suas bases para o estudo da Informação, validando e analisando a Ciência da Informação, em seus diversos aspectos, e estruturando um estudo filosófico da Informação. Percebe-se, até então, que se trata de divergências no que tange aonde o estudo reflexivo da Informação terá sua sustentação formal, mas ao que parece, ambos concordam que tal estudo deve existir.  Visualizamos ainda, autores como Frohmann (apud, Capurro, 2007) que atribuem ao valor da informação à conceituação de mensagem. A mensagem é dependente do emissor, isto é, ela é baseada em uma estrutura heteronômica e assimétrica. Este não é o caso da informação: recebemos uma mensagem, porém não solicitamos uma informação. Trazem ainda discussões sobre a fenomenologia e a hermenêutica da informação, e vêm contribuindo para uma Filosofia da Informação. 

Para Francelin e Pellegatti (2004, p.127) o método de estudo da Filosofia da Informação é relacional, ou seja, baseia-se na complexidade do pensamento e do cotidiano humanos e o seu objeto de estudo é a informação“liberta”, é aquela informação que não está presa a um domínio, que está fora do controle humano, mas não de sua percepção. Vislumbram ainda a problemática e estruturas conceituais para a Informação sendo estudado diante de uma Filosofia apropriada, admitindo a informação prioritariamente, como mecanismo de interação, sendo por meios diretos ou não.

Há autores que mostram a estreita relação da Filosofia da Informação, com as novas perspectivas de apropriação e disseminação da informação por parte da sociedade, como mostra Ilharco (2004, p. 35):  "A Filosofia da Informação é um projeto destinado a consolidar numa área de investigação autônoma, uma série vastíssima de problemas e questões originados e relacionados com emergência da chamada sociedade da informação. Em termos gerais ela é a colocação filosófica, sem pressupostos, rigorosa e radical da questão da informação. Ela é a tentativa de pensar filosoficamente a informação: o que é a informação? O que é a informação? Quais as dinâmicas e modos de ser informação? O que distingue a informação doutros fenômenos que lhe são associados, como a comunicação, os dados, o conhecimento, a ação, o ser, a diferença? O que é que permite identificar, assumir ou pressupor determinada manifestação, fenômeno ou evento como informação?"

A informação enquanto propagação social é um fenômeno que se deu por conta das Tecnologias da Informação e Comunicação, no entanto, esta nova área não deve ser tomada como a filosofia das tecnologias da informação e da comunicação, mas verdadeiramente como a Filosofia da Informação (Floridi, 2002). Apesar das novas tecnológicas terem uma enorme força na sociedade atual, e de certa forma serem um fenômeno relevante dada a sua incrível penetração na sociedade, o fenômeno de base é a informação.  Dessa forma, a Filosofia da Informação se configura como primogênita na reflexão e nos questionamentos dos vários assuntos e fenômenos: "A Filosofia da Informação privilegia a informação como o seu tópico central, em detrimento da computação porque ela analisa a última pressupondo a primeira. A Filosofia da Informação trata a questão da computação apenas como um dos processos – e talvez o mais importante – em que a informação está envolvida. Desta forma, esta área deve ser tomada como Filosofia da Informação e não apenas definida em sentido estrito como filosofia da computação, tal como a epistemologia é a filosofia do conhecimento e não apenas a filosofia da percepção (Floridi, 2004)".

Têm-se então a dissociação, primordialmente elaborada por Floridi, mostrando que a Filosofia da Informação não se trata de uma Filosofia da Computação, apesar da filosofia da informação ter sua fundamentação teórica diretamente ligada a tecnologias mais recentes, mas não a torna reflexiva enquanto tecnologia computacional. Porém, pode-se observar uma conflitante relação entre a informação e o seu acesso na sociedade moderna, sobretudo no contexto de mudança de paradigma advindo com o século XX que ocasionou uma maior demanda informacional e tecnológica.  Como mencionado, a informação é um elemento importante na sociedade contemporânea e estudada diante de uma filosofia apropriada é fundamental para o entendimento da dinâmica e das relações que ocorrem no momento em que esta informação está em uso.

É possível verificar que a literatura atual trata majoritariamente o ambiente no qual a informação se dispõe como “sociedade da informação”. Para entendermos a relação entre a Filosofia da Informação e a sociedade é importante avançar no próprio conceito de Sociedade da Informação.A expressão ‘sociedade da informação’ passou a ser utilizada, nos últimos anos desse século, como substituto para o conceito complexo de‘sociedade pós-industrial’ e como forma de transmitir o conteúdo específico do ‘novo paradigma técnico-econômico’. A realidade que os conceitos das ciências sociais procuram expressar refere-se às transformações técnicas, organizacionais e administrativas que têm como ‘fator-chave’ não mais os insumos baratos de energia – como na sociedade industrial – mas os insumos baratos de informação propiciados pelos avanços tecnológicos na microeletrônica e telecomunicações. Esta sociedade pós-industrial ou ‘informacional’, como prefere Castells, está ligada à expansão e reestruturação do capitalismo desde a década de 80 do século que termina. As novas tecnologias e a ênfase na flexibilidade – ideia central das transformações organizacionais – têm permitido realizar com rapidez e eficiência os processos de desregulamentação, privatização e ruptura do modelo de contrato social entre capital e trabalho característicos do capitalismo industrial. (Werthei, 2000, p. 71)

Porém, em outra análise Barreto (2007, p. 14), afirma que “A sociedade da informação é uma utopia de realização tecnológica e a do conhecimento uma esperança de realização do saber”. Essa análise deixa evidente a observação de uma sociedade técnica em suas formas de relações de transmissão da informação, ação meramente mecânica que não reflete sobre o objeto em questão, como Barreto (2007, p. 15) prossegue afirmando, “a sociedade da informação está limitada a um avanço de novas técnicas devotadas para guardar, recuperar e transferir a informação”.Temos então uma configuração paradoxal sobre Sociedade da Informação e Filosofia da Informação, ou seja, se como afirma Barreto que a Sociedade da Informação é um fenômeno meramente técnico, e a Filosofia da Informação é uma tentativa de estudo reflexivo sobre a informação e sua aplicação, como afirmam os autores já mencionados aqui, chegamos ao questionamento se estamos de fato, refletindo sobre uma técnica aplicada na sociedade, ou a “uma utopia de realização tecnológica”?

A técnica em si não precisa, ou pelo menos, não pretende abordar estudos basilares e filosóficos, a técnica é uma aplicação prática da teoria. Logo, o que está em questão para uma analise estrutural e filosófica é a informação, tendo em vista que a informação existe enquanto teoria, mas suas formas de disseminação e acesso podem ser efetivamente técnicas a serem reproduzidas e não refletidas. Podemos observar divergências entre autores da área que se propõem a pesquisar e teorizar sobre a Filosofia da Informação. Essas divergências não mostram apenas a tentativa de consolidação da nova área, mas também, a necessidade de um remodelamento do pensar filosófico da área de Ciência da Informação sobre seu objeto. Emblemática, paradoxal, ontológica e todos os outros problemas que cercam uma área de estudo ainda não consolidada por completo. Debates como os supracitados são de fundamental importância para uma estruturação Filosófica da Informação. Contudo, podemos afirmar que a Filosofia da Informação é uma área de estudo em formação que observa a informação em seus diversos níveis.

Admite sua intrínseca relação com a sociedade, mesmo esta fazendo uso da informação por meios técnicos e não reflexivos. Aborda a informação enquanto perspectiva de futuro, observando a evolução das novas Tecnologias de Informação e Comunicação e, como se pode observar e estruturar configurações teóricas para informação. A Filosofia da Informação configura-se como campo da pesquisa filosófica voltado para a investigação crítica da estrutura conceitual das elaborações e aplicações da teoria da informação e das metodologias computacionais aos problemas filosóficos, pressupõe que um problema ou uma explicação pode ser legitimamente e genuinamente reduzido para um problema informacional.

http://www.datagramazero.org.br/dez13/F_I_art.htm