O termo ou conceito Inclusão Digital é empregado em diferentes e amplos contextos e, considerando-o como ação transversal, envolve áreas tais como: educação, comunicação, ciência da computação e ciência da informação (MIRANDA, 2006; AUN, 2007, p.15).


Ao mesmo tempo, está presente nos 3 (três) setores da economia. No Governo, como parte de política pública. No mercado, como objetos de iniciativas sociais. E recentemente no terceiro setor, ONGs, pelo envolvimento nas defesas de comunidades em estado de vulnerabilidade social. Ressalta-se também o papel das universidades, formulando definições, conceitos e metodologias. Com esta variedade de atores é raro encontramos um consenso, até mesmo em uma mesma área ou setor quanto ao conceito de inclusão digital.

O conceito de inclusão digital em sua forma mais limitada se expressa como provimento de recursos físicos, tais como computadores e conexão à Internet para populações excluídas, e o acesso à produção de informação. Na Norma Geral do Programa GESAC do Ministério das Comunicações (BRASIL, 2008a) há uma curta definição, cujo foco é a democratização resultante do acesso às TICs. Consideradas as evidentes limitações, a II Oficina de Inclusão Digital do Governo Federal (2003), na busca da clareza e simplicidade, concluiu: “O processo de inclusão digital deve ser entendido como acesso universal ao uso das TICs, e como o usufruto universal dos benefícios trazidos por essas tecnologias.”

Um conceito que, com certeza, atende alguns propósitos, em certos contextos, é: “Atualmente, contudo, mesmo em países de língua inglesa as expressões digital exclusion e digital inclusion são utilizadas quando a ênfase é posta nos efeitos da divisão digital ou nos mecanismos para saná-la, respectivamente” (CPqD, 2006).

O mesmo CPqD (2006) reforça o conceito quando expressa como uma ação sobre os excluídos deve ocorrer por meio da disponibilização de meios tecnológicos, recursos de usabilidade, ferramentas de acessibilidade, capacitações e habilidade e mesmo apoio social para que os indivíduos superem as modalidades de barreiras e participem da sociedade informacional. O CPqD apresenta uma estrutura ou modelo para representar a inclusão, considerando a inclusão digital em três níveis ou barreiras a serem superadas pelos excluídos: a) disponibilidade de acesso; b) Usabilidade e acessibilidade; e c) Inteligibilidade - decodificação e cognição. E os dois últimos simbolizam os níveis de inclusão que cada pessoa pode atingir, considerados os graus de proficiência e autonomia informacional.