CDI já capacitou mais de 20 mil pessoas no Pará

Ribeirinhos, povos quilombolas do Pará e da periferia de Belém têm acesso à cidadania, por meio, de projetos sociais, voltados para a informática, tecnologia, educação e cultura. A ação é feita, nas Escolas de Informática e Cidadania – EICs, pelo Comitê de Democratização da Informática – CDI/PA, ONG com missão de fortalecer comunidades de baixa renda através do uso das tecnologias. Em parceria com o Centro Universitário do Estado do Pará – Cesupa, o Comitê tem desenvolvido projetos para promover a inclusão digital, capacitando pessoas de diversas idades pertencentes a grupos desfavorecidos. O CDI/PA tem implantado programas educacionais e profissionalizantes em mais de dez municípios da região, com o objetivo de combater a pobreza e a desigualdade, estimular o empreendedorismo e criar novas gerações de empreendedores sociais.

“A ONG dá instruções de informática e tecnologia de acordo com a realidade das comunidades, como por exemplo, na produção de currículos, cartas, serviços públicos, entre outros trabalhos”, explica o coordenador de Desenvolvimento Institucional do CDI/PA, Bruno Brasil.

Com atuação em 12 países da América Latina, a Organização já capacitou mais de 20 mil pessoas no Estado e, ao todo, já foram beneficiados mais de um milhão de jovens em situação de risco, segundo dados do CDI/PA. A ONG conta com uma rede de 805 educadores. No Pará, são 59 educadores e 30 coordenadores, que levam às comunidades mecanismos de interação com o mundo, por meio da informática e tecnologia.

Morador do bairro do Tapanã, na periferia de Belém, o especialista em Webdesign, Francisco Brito, recebeu capacitação do CDI na adolescência, aos 16 anos, e se formou na área da informática, graças às instruções do Comitê. “Fui aluno há dez anos e naquela época não tinha perspectiva de ter renda fixa e nem melhorias. Sobrevivia da renda de venda de sacos na rua e conheci o Bruno Brasil. Participei da segunda turma e, tempos depois, me tornei instrutor, chegando até a integrar a equipe do Emaús, no bairro do Benguí, que possui convênio federal. Tudo que recebi até hoje foi proporcionado pela oportunidade do CDI,” afirma.

QUILOMBOLAS

Localizado no quilômetro 68 da Alça Viária, o município paraense de Mojú, recebe há pouco mais de um ano as ações do CDI através do Projeto Sócio-Cultural Filhos do Quilombo, da Associação Quilombola África e Laranjituba. O trabalho começou com a iniciativa de Raimundo Magno Nascimento, que nasceu no município e resolveu retornar a sua comunidade depois de ter se graduado em Administração e se especializado em Marketing, pelo Cesupa, em Belém. Na comunidade África, cerca de 10 mil pessoas, entre crianças e idosos, são beneficiadas com as ações básicas de educação e cultura.

“São 32 comunidades quilombolas vinculadas ao CDI que buscam fortalecer e preservar a identidade local. A Comunidade África produz cerâmica para integrar o sustento das famílias e o CDI contribui com o projeto através de postagens de fotos da cerâmica no blog da comunidade”, afirma Raimundo que também é coordenador da Associação e há dez anos participa do Projeto social.

Para a aluna da comunidade África, no município de Moju, Cláudia Santa Rosa dos Santos, 40 anos, o envolvimento com o CDI é a realização de um sonho. “Pra nós que nunca tivemos oportunidade, achávamos que a tecnologia era algo muito longe da gente, que não teríamos condições de conhecer programas de informática ou computadores. Depois do convênio com o CDI, mesmo aos 40 anos, recebi formação técnica de informática e agora nós mesmos fazemos nossos trabalhos”, afirma. Estudante da mesma comunidade, Carlos Eduardo do Nascimento, de apenas 8 anos de idade, aprendeu a usar o computador e a internet, através do CDI. “É bom estudar e saber usar o computador”, vibra.

Renato do Nascimento, 20 anos, também participou das aulas promovidas pelo CDI e atua como educador de informática na comunidade. “Antes de conhecer a comunidade não tinha domínio da informática. Hoje estamos bem instruídos. A informática é tudo pra nossa formação profissional e sem internet estamos excluídos do mundo. Pelo CDI as crianças não ficam mais na rua, sem oportunidade e os idosos, na ociosidade. Com essa chance todos podemos nos profissionalizar”, afirma o jovem.

O Cesupa tem apoiado a iniciativa do CDI no Estado desde o início, no ano 2000, fornecendo infraestrutura física, material de expediente, laboratórios para capacitação de educadores e coordenadores de EICs, entre outras formas de incentivo. Segundo a coordenadora de graduação e extensão do Cesupa, professora Silvia Mendes Pessoa, o trabalho desenvolvido nas EICs credenciadas tem contribuído para melhoria da educação e perspectiva de vida de algumas crianças e jovens carentes, portadores de deficiência visual, comunidades indígenas e ribeirinhas.

A organização se sustenta com o apoio de investidores e grandes empresas e instituições como o Cesupa, que disponibiliza sede, escritório, internet e segurança. O coordenador, Bruno Brasil, ressalta a importância dessa parceria: “é indispensável este tipo de apoio para as nossas atividades, sem o qual não teríamos condições de desenvolvê-las”, destaca. (Diário do Pará)


Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Quem está Online

Temos 60 visitantes e Nenhum membro online

Palavras-chave

Buscar