A virtualização das infraestruturas de telecomunicações vem se mostrando como a saída para otimizar os pesados investimentos das operadoras para atender à crescente demanda por dados e novos serviços. É uma tendência que começou a ser desenhada pelos principais fornecedores ainda em 2013 e se fortaleceu durante o Mobile World Congress (MWC) de fevereiro deste ano, em Barcelona, com o anúncio de novas soluções de vendors e dos primeiros testes em operadoras, inclusive no Brasil.

O avanço, entretanto, ainda é lento, e só deve ganhar impulso real a partir de 2015, com a padronização das interfaces de orquestração para virtualização das funções de rede (NFV, na sigla em inglês). "As maiores operadoras já estão avançando nas conversas sobre virtualização, mas, como trabalham com múltiplos vendors, a falta de padronização atrapalha o avanço", avalia o diretor de marketing da Ericsson para a América Latina e Caribe, Jesper Rhode. "Até o começo de 2015 já devemos ter a padronização das partes essenciais e aí sim as teles vão começar a testar e implantar isso pra valer", completa.

O NFV pode ser considerado um primeiro passo na estratégia de adoção de uma infraestrutura totalmente virtualizada, de rede definida por software (SDN), na qual o controle de funções de redes que precisariam ser processadas por meio de equipamentos específicos, como o controle de tráfego, otimização e realocação de recursos e autenticação de usuários, entre outros, passa a ser feito em servidores de processamento remoto e compartilhados. Assim, recursos até então físicos passam a ser armazenados na nuvem, com funções padronizadas e multiprovedor.

O grande apelo da virtualização para as operadoras é a redução no tempo para ampliar capacidade ou lançar novos serviços. "Na arquitetura tradicional, uma operadora pode levar 18 meses para ampliar a capacidade de um serviço em operação e até três anos para lançar um novo serviço e isso não é aceitável mais se pensarmos na competição com serviços over-the-top, como Netflix, WhatsApp ou Viber, que rodam muito bem na nuvem e lançam novos serviços em dias", comparou o VP e gerente geral da Unidade CloudBand Business da Alcatel-Lucent, Dor Skuler, em entrevista a este noticiário durante o MWC. "O tráfego de dados deve crescer 11 vezes na América Latina até 2018 e o planejamento de rede deve ser feito com antecedência de cinco anos se pensarmos em troca de tecnologia. Numa rede compatível com SDN, com camada de controle separada da rede, com core IP e arquitetura IMS, dá pra atualizar em seis meses", avalia Rhode.

Testes

A Alcatel-Lucent já está desenvolvendo os primeiros testes de virtualização de redes no Brasil. São testes de NFV que prometem mais simplicidade e agilidade no lançamento de novos serviços. Segundo Skuler, "duas das operadoras globais com controladoras europeias já estão experimentando na América Latina e no Brasil". Uma delas é a Telefónica, que anunciou em fevereiro sua estratégia global de virtualização de rede, que recebeu o nome de Única, que aplica tecnologias de NFV em sua infraestrutura e nos equipamentos residenciais. A plataforma CloudBand NFV da ALU será usada para identificar e desenvolver modelos de processos do que e quando será virtualizado, reduzindo gastos operacionais. A Ericsson, por sua vez, participará com a criação de um programa de pesquisa e desenvolvimento (P&D) nas áreas de NFV e SDN. "O programa tem como objetivo entender quais são as transformações e desafios na arquitetura atual da rede global para endereçar o que vai precisar de rede para o futuro e chegar a um consenso de quais aplicações e serviços devem poder virtualizar", explica a diretora de desenvolvimento de soluções em IP da Ericsson, Andreia Faustino.

O programa da Telefónica, de acordo com Andreia, está dividido em três frentes: a infraestrutura de rede, a orquestração das aplicações e as aplicações em si. "A camada de infra é a base para construir a arquitetura virtualizada e precisamos avaliar, com base na experiência que temos em sistemas de TI e telecom, o nível de convergência da rede da operadora para que a transformação aconteça, esse é o grande desafio", pontua, lembrando que é importante otimizar os investimentos já feitos em equipamentos e que a transição seja eficiente e não aumente o Opex (custo operacional) da tele. "A ideia é começar a trabalhar durante todo o ano de 2014 para verificar o que faz sentido desenvolver", conclui a executiva.

A Telefónica prevê que o redesenho das redes será gradual e fluído, com implantação efetiva do projeto começando ainda em junho deste ano, mas com previsão de ter 30% das novas infraestruturas do grupo com gestão virtualizada em 2016. Também desenvolvem prova de conceito com a Telefónica os fornecedores HP, Nokia Solutions and Networks, Broadsoft, Cisco, Intel e Juniper.

Para Skuler, da Alcatel-Lucent, essa implantação gradual deverá ser adotada por todas as operadoras. "As operadoras já têm um cronograma, orçamento e testes em laboratório, mas a recomendação para essa evolução é passo a passo", diz. "Vão começar com aplicações de baixo risco, deixar os times ganharem mercado, para depois partir para virtualização de EPC (evolved packet core), controladoras e as coisas maiores", complementa Skuler, que acredita que a virtualização do EPC aconteça entre o final de 2015 e o começo de 2016.


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