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0 #1 Benedito Medeiros Neto 19-01-2018 10:30
Caro amigo Medeiros. Boa noite!
Agradeço a distinção do compartilhamento do ensaio "Uma Escola Pra Valer... em tempos de Google!"
Li com prazer o que se revelou uma convergência lato sensu com que penso sobre o assunto enfocado, já há cerca de duas décadas.
Apreciei sobremaneira a leveza da comunicação, não complicada, objetiva e clara, e o pós modernismo do uso das citações colocando quem as proferiu como coautores do ensaio, no atual sentido que se dá à bricolagem.
Há cerca de 20 anos, em uma palestra na universidade, fui elogiado pelo fato de exercer com proficiência o sacerdócio da medicina. Retorqui agradecendo o elogio, mas declarei de maneira enfática que medicina não é sacerdócio sim vocação para técnicos em saúde humana, e que mesmo nas religiões o mesmo acontecia com técnicos em rituais e correia de de transmissão entre os textos sagrados e a ignorância dos devotos. Perguntado o seria um sacerdote, respondi incontinente, "O Professor".
Continuei explicitando que afastadas as pompas e circunstâncias e a arrogância dos narcisistas que fazem uso do ensino para apresentar seus egos, e os displicentes e desinteressados que fazem do magistério um emprego descompromissado, resta a enorme massa de verdadeiros sacerdotes.
São um grande exemplo desse mister, professores de nossos longínquos municípios remunerados á razão de 20 reais mensais,que mesmo falando e escrevendo de maneira não muito correta, são capazes de alfabetizar dezenas de crianças.
Finalmente gostaria de contribuir em relação ao enfoque do texto, com a criação de uma tosca metáfora que me ocorreu durante a escrita deste email:
Imagino que professores da minha geração estão aterrissando com seus aviões com maior ou menor carga de conhecimentos obsoletos, mas que o maior problema é o de não poder ensinar os jovens a decolar com os deles, pois nos escapa a competência técnica com os modernos instrumentos de seus aviões, e ainda estão por se formar novos instrutores.
Por isso, não seria de bom alvitre, abandonar a frustrada pretensão de usar as técnicas de decolar obsoletas de nossos aviões velhos e nos dedicar, ao que valha a pena para preencher este hiato entre nós e eles? Sim! Ensiná-los a sentir, despertar emoções, falar da beleza de voar, das rotas do céu, do poder das tempestades, do louvor do por do Sol visto acima das nuvens.Incitar em cada um o anseio de "Frei Capelo Gaivota"?
Tenho esperança que assim procedendo, com a inteligencia do coração, recuperaríamos - não importa que atualidade se apresente - , a energia atemporal e contagiante de" Ragnar, o Rei dos Vikings da Netflix", e ser possível trocar "...toda a sua tecnologia por uma tarde com Sócrates", como desejou Steve Jobs, para assim, despertar do torpor defensivo em que se encontram nossos jovens, perplexos com a complexidade, velocidade e desamparo trazido pelo alvorecer do III Milênio.
Grande abraço.
M. A. V. Moraes

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